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Mundo da alma

MONTE CÓRDOVA - TOUR DOS MARCOS - 16Out2018 19:14:00

Neste dia o objectivo era treinar as pernas e em modo circular,  passar em todos os cinco marcos geodésicos mais significativos aqui da região, incluindo o de Sanfins, Citânia, o mais alto:

Padrão 413m
Assunção 483m
Costouras 493m
Sanfins, Citânia 570m
Pilar - Alto de São Jorge 532m

26,5km em menos de 6h com desnível acumulado a rondar 1000m








 Monte Padrão
 Castro do Monte Padrão

 Capela do Padrão
 Padrão








 Tristeza






 Marco da Assunção




 Efeitos do Leslie

 Marco de Costouras dentro de uma propriedade



 Nascente do Rio Leça...seca



 Lá em cima o marco da Citânia



 Citânia



 Balneário
 Caminhos

 Café Montanha...like


 Sra do Pilar

 Pilar - Alto de São Jorge


 Rio Leça

 O que uma pessoa não faz para merecer um sumol fresquinho






Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/10/monte-cordova-tour-dos-marcos.html

LOS URRIELES DAY THREE - TORRE CERREDO - 11Out2018 13:36:00

Depois de nos dois anteriores posts deste blog, ter descrito os  primeiros dias desta incursão no maciço central do Parque Nacional dos Picos da Europa, ou Urrieles, chegou a altura de escrever sobre o terceiro e último capítulo desta trilogia. 

Atingir o cume da torre mais alta dos Picos da Europa, podia ser uma tarefa fácil, como haverá tantos cumes bem mais altos e mais fáceis...não é o caso. O terceiro dia será bem duro, e em cima dos anteriores. O segredo é saber sofrer, com um sorriso na cara, e com boa disposição. Vamos lá de assalto ao castelo do Sauron.




Depois de uma noite, mal dormida, junto com mais quase 20 montanheiros, no refúgio do Urriellu(todos no mesmo quarto), quase a 2000m de altitude, na base do Picu Urriellu, é chegada a hora de partir.




Ainda de noite, as botas já pisavam o calcário infinito destas altitudes. O pequeno almoço frugal, ficava para trás, e agora, havia que convencer os corpos pouco acordados, e algo massacrados pelos dois primeiros dias, que teriam de se superar e dar tudo o que tinham, para cumprir mais este terceiro objectivo, que lhes era pedido.








Logo após atravessar a Vega Urriellu, a Brecha dos Cazadores era para trepar com as mãozinhas. Primeira de muitas.



Últimos metros de erva do dia



Prosseguimos com o Neverón de Urriellu à esquerda, a avistar cada vez mais de perto os colossos Pico dos Cabrones, e a seguir a grande Torre Cerredo, tecto da cordilheira Cantábrica e do Noroeste da Península Ibérica. Para chegar à sua base desde o refúgio, já foi uma boa esticadela por entre cascalheira, buracos, declives, mas agora...agora começará verdadeiramente o montanhismo...


Nada é fácil nestas paragens




Desde o fundo do Jou de Cerredo até ao cume da torre, são mais de 400m de declive muito inclinado a quase vertical, à medida que nos aproximamos do topo. É assustador, tamanha distância em tão grande declive.



Para ficarem com uma ideia mais aproximada das proporções, na imagem acima assinalei com um círculo branco dois trepadores que subiram depois de nós. Esta imagem reporta-se apenas ao topo da torre, óbviamente.


Para os últimos 100m, as mochilas têm mesmo de ficar em baixo, porque já basta o que basta. Daqui para cima, não há alternativa...ou estamos completamente focados na tarefa, de colocar bem pés e mãos, ou simplesmente deixaremos de "estar". A vista para baixo é proibitiva, a não ser que haja uma qualquer anormalidade de funcionamento hormo-emocional que suprima picos de adrenalina. De outro modo, é melhor olhar para a frente e para cima...

Nível de escalada II+

Vamos lá, não viemos até aqui para ficar a olhar para a coisa. Siga.





O mar Cantábrico já ali
Os prémios...
Para Ocidente...
Para oriente
Porra pá, tirei uma selfie
Andar de avião não é muito diferente



Já conseguimos 50%. Lá em cima, ainda há uma curta cumeada, que por haver vento forte, até assustou um pouco. Vento e frio. A emoção era grande, as vistas ainda maiores. Após uns 15m, havia que iniciar agora o mais difíçil.

Subir é opcional, descer...é mandatório.


O vento amainou na descida, e tudo correu bem. Impróprio para quem tenha medo de alturas.

Aqui já perto do fim da descida, agora muito menos vertical.

Há quem desça em rapel, mas não era a mesma coisa...

Cá em baixo, depois de recuperarmos as mochilas, o dia estava muito longe de acabar. Seguindo sempre a lógica de não voltar a trilhar caminhos já percorridos, havia agora que sair deste gigantesco fundo buraco que é o Jou do Cerrredo. A porta de saída é mais uma vez no cimo de uma subida enorme com cascalho e gravilha. Lá vamos nós para a Horcada de San Carlos. Na foto em baixo ainda vista bem lá de cima...

A Horcada de Don Carlos á esquerda
La trepadiela

 Botas ao caminho


Super anão de Lanhoso

 Do outro lado havia que parar em alguma sombra para comer. Jou de Arenizas foi o local.
As vistas do restaurante até nem eram más




Anões




Admirando as últimas vistas do El Picu



E agora a caminho do Jou Sin Tierre e Jou dos Boches

Jou Sin Tierre
Um Jou gigantesco


O topo do Picu Urriellu desde o sudoeste

Rebeco a ver quem passa

Agora já só queríamos chegar a tempo do último teleférico para Fuente Dé que era às 18h. Para isso, teríamos de não vacilar no passo, nem nos obstáculos...senão, teríamos de descer a porcaria do km vertical outra vez...

Jou dos Boches e subida para o collado dos Horcados Rojos

Ainda faltava um...aquela paredezinha é para subir, literalmente a pulso...até ao collado dos Horcados Rojos. Verticalidade e gravilha...TOP. Em alguns troços o cabo está arrancado da pedra, pelo que todo o cuidado é pouco e com tempo húmido, nem quero pensar...


E chegados lá acima, é só descer pelo passeio da Verónica até El Cable. Chegámos com 15m de antecedência. We´ve made it guys.


Adiós Urrieles


Beleza

Estatísticas deste dia: 14km, quase 1400m de desnível a lá Picos. 


EPÍLOGO


Após um adiamento desta expedição aos Picos por causa da grande quantidade de neve deste ano, após incontáveis horas de planeamento, treino e ansiedade, os objectivos ambiciosos de fazer em três dias seguidos os trilhos que fizemos, chegaram, agora cá em baixo, em Fuente Dé, finalmente a um descanso. Melhor ainda, faltava o abraço da chegada a casa, em segurança. No total, cerca de 4300m de desnível acumulado positivo, e cerca de 43km percorridos num terreno terrível.

No que diz respeito aos meus companheiros de expedição, o Jorge e o Alberto, só posso dizer que são grandes caminhantes e que me sinto honrado por ter integrado novamente esta equipa. Não tão grandes como eu claro, porque eu sou bem mais alto, mas grandes naquilo que importa, capacidade de sofrimento, sabedoria, conhecimento, e a massa que nos une a todos os três...a paixão pelas montanhas, pela natureza e a descoberta. Obrigado amigos. Inesquecível.

Foram dias de intensidade alta, física e mental, que correram pelo melhor, com a ajuda também da metereologia. 

Um último agradecimento muito especial à minha mulher que conheci numa montanha, e que me dá a força especial necessária, mesmo quando não está, nas horas mais apertadas.

É bom estar de volta a casa, é bom ter lá estado e ter bebido tão profusamente do cálice das montanhas dos Urrieles. 

Espero que tenham gostado de acompanhar a nossa aventura e que no futuro próximo nos possamos cruzar por aí.

Boas caminhadas, boas aventuras.



FIM



Resultado de imagem para sauron sadP.S. Quanto ao Sauron, parece que quando chegámos a casa dele, ele tinha saído pela porta dos fundos para ir comprar tabaco e nunca mais voltou. É para aprender. Provavelmente mudou-se para outro cume...Mas os hobbits haverão de o encontrar...

Quanto à fabada Asturiana...bem...o que acontece nos picos, fica nos picos.

Disse.





















Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/10/los-urrieles-day-three-torre-cerredo.html

LOS URRIELES - DAY TWO - PEÑA VIEJA - 09Out2018 10:49:00

Depois de um primeiro dia com muitos kms num dos piores terrenos para caminhar, e uma noite para recuperar o possível, cá vamos nós de volta ao trabalho. Desta vez os objetivos são conquistar o cume do Peña Vieja, o mais alto da Cantábria, que está totalmente inserido nesse território, e também, apesar de não ser um cume, a Collada Bonita, nos 2382m, de onde se avista pelo Este, esse símbolo do parque que é o Pico Urriellu. 

11km, 1112m desnível acumulado, Alt máx: 2617
Desnível máx: 74%



Desta vez para subir desde Fuente Dé, usámos o teleférico. Começa o trilho pois, na estação superior do El Cable em direção à passagem da Canalona. 





Pelo caminho reencontrámos o simpático Cheri, que no dia anterior conhecemos na Torre Blanca.




As Palentinas


Começa a subida até ao collado da Canalona...







Esta passagem é bastante exposta à interminável cascalheira, e neste dia o vento soprava bem, e frio. A parte final inclina bastante e parece que o corpo quer deslizar para trás na gravilha. 

Ao chegar finalmente ao collado, mais frio, mais vento e, a visão do Peña Vieja que tantas vezes vimos nas fotos, que ganha uma nova dimensão... 


O Vieja é majestoso e absolutamente impressionante. Parece uma rampa de lançamento de uma base espacial e, quanto mais se suba, mais ele inclina. 



Proíbido olhar para baixo...Com alguma apreensão mas sempre ambiciosos, chegámos ao topo, de onde naquele dia fomos presenteados com um tecto de nuvens por baixo... maravilhoso. 



 El Picu, desde o Vieja
 Para os lados de Aliva

 Palentinas
 Os pequenos hobbits


 O cenário para o resto da etapa até à Collada Bonita

Lá em cima estava frio e ventoso, e, depois de saborear aquele incrível momento há que descer.., com muito cuidado, para não ir parar ao fundo do hoyo, quase 300m abaixo. 


Chegados abaixo, começa a segunda parte do dia, que é caminhar até à Collada Bonita. Terreno muito variado, com vários buracos enormes a céu aberto por onde se espreitarmos, não veremos fundo. 



Pedras cortantes, crestas, cascalheiras, passos expostos, declives...Picos da Europa.


 O Peña Castil a lutar para não ficar por baixo...










 Para trás o Vieja...









Cuchalón de Villasobrada




Quase na Collada...









A subida final para a Collada Bonita impressiona, mas, depois de lá chegados, a descida que segue para o Jou Tras El Picu, consegue ser ainda pior.






As vistas são soberbas. Ali imediatamente fomos recebidos pelas chovas piquigualvas, aves de altitudes. Esta até tem uma anilha...













Descer, descer, descer...






Já no fundo, os rebecos...





Lá por cima, nas alturas, alguns sons humanos, revelam os escaladores na parte sombria do Picu, a tentarem acabar a lenta trepadela até ao cume...


 O pontinho branco assinala a sua localização

Estes só muito mais tarde já de noite, chegariam ao refúgio...





 A Morra del Carnizoco






 Siga para o refúgio do Urriellu, descansar para um terceiro dia muito violento.



 Fantasmas






  O descanso do guerreiro



Desde já o meu agradecimento particular, aos meus colegas de jornada Alberto e Jorge, por facilitarem algumas das belas fotos aqui publicadas. Resumidamente, também aqui é um trabalho de equipa.



No próximo post, sobre o terceiro dia, o relato especial da subida ao cume mais alto dos Picos da Europa, a Torre Cerredo.

Abraços, boas caminhadas e muito cuidado.













Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/10/los-urrieles-day-two-pena-vieja.html

LOS URRIELES - DAY ONE - TORRE BLANCA - 05Out2018 22:39:00

Ainda no fim da madrugada, a silhueta do km vertical, ergue-se imponente diante de nós, como uma primeira barreira para muitos intransponível. Não fora a existência do teleférico que em Fuente Dé, avança de 5 em 5 minutos os que quiserem saltar este obstáculo, geralmente para ir á estação superior ver as vistas ou, ir simplesmente passear até à cabana Verónica, terão de avançar um desnível absurdo em pouca distância. Esta segunda opção foi a nossa. Mochilas carregadas para um dia de actividade no incrível maciço dos Urrieles.




Começa a vida dura do caminhante apaixonado, tentando desbravar os desconhecidos caminhos do maciço central dos picos da Europa. O Pico da Padiorna de laranja garrido, dá os bons dias debaixo da lua prateada. O cenário está montado.





Aqui nas alturas do maciço não há rios, e fontes são muito escassas ou inexistentes, pelo que temos de ir prevenidos com líquidos em maior quantidade. Além disso, corda e capacete, ajudam a pesar a mochila. Siga...

Para subir o desnível de quase 1000m e entrar nos Urrieles, optamos pela via do Canal da Jenduda por ser bem mais difícil que o clássico do Hachero, que mais perto do fim da subida apresenta além de um obstáculo transponível apenas com ajuda de cordas, uma rampa muito íngreme de pedra solta bem mais exigente. De um lado e do outro do apertado estreito, estão as altas paredes deste portão de entrada. Esta é uma via que de certa forma abre as hostilidades para o resto do dia.













No fim da subida, somos recebidos pelos rebecos, em bom número que nos anunciam o abrir do livro das vistas maiores. Primeiro teste superado, fomos admitidos no reino das alturas. Deslumbrante. 







 O Palentino El Espiguëte(esse já cá canta:)






A partir daqui acabou-se a pouca cor verde que havia. Branco e cinzento debaixo do azul céu, serão as cores únicas até quase ao fim. 

O nosso objectivo deste dia é atingir com rota circular, o alto da Torre Blanca nos 2619m vértice das províncias de León e da Cantábria, e cume mais alto desta ultima. Até à cabana Verónica é um passeio de alguns kms por caminho muito tranquilo, rodeado de paredes imponentes. 

Ali chegados, encontramos o guarda, do refúgio que se encontra à maior altitude nos Picos da Europa. O Jorge, fica na cabana Verónica de maio a novembro e é de Leiria, pelo que foi agradável saber que estávamos um bocadinho na nossa casa. Alguma conversa depois, e visita às instalações, partimos para o trilho efectivamente duro... duro até ao fim. 








O terreno é de progressão lenta e que exige atenção permanente por causa das muitas simas e muita pedra solta, afiadas e declives altos. Os picos da europa, albergam algumas das simas mais profundas do mundo. A Sima de La Cornisa tem apenas a profundidade do ponto mais alto da Serra do Gerês, o nosso único parque nacional.














Mas isto é apenas o necessário para chegar ao princípio da subida para o ataque á torre. Aí o declive ganha significado, não permitindo doravante, falhas de concentração. 



A Torre Cerredo ao centro será o nosso assunto no terceiro dia

Chegados ao colo vertiginoso, antes da trepadela final, conhecemos um simpático francês já seguramente nos seus cinquentas, muito mais habituado a estas altitudes e que depois de ter estado sózinho no cume da Blanca, ía agora, via cumeadas até ao Tesorero... Nem é bom falar. No dia seguinte haveríamos de o rever. 




Do cimo da Blanca uma vista indescritível, estratégicamente boa para apreciar o maciço ocidental de El Cornión, o Lambrion, Cerredo, Bermeja, Arenizas, Vieja, Palentinas, enfim...


 O Lambrion à esquerda é o segundo mais alto dos Picos da Europa






 El Picu, à nossa espera para o segundo dia
 Peña Vieja, uma rampa de lançamento impressionante.






Descer é sempre especial, porque estamos sempre a olhar para o longínquo fundo onde queremos repousar. Agora, havia que fazer a ainda mais dura travessia até à Vega de Liordes, à sombra do Tiro Llago e Madejuno. Aquilo que nas cartas parece uma distância relativamente curta, no local transcreve-se em dificuldade máxima. Seria assim no sobe e desce sempre atentos aos buracos até esse recanto tão diferente que é o oásis da Vega. 





 Ao fundo as torres Palentinas. À esquerda o Curavacas e à direita o colosso Espigüete.











Aí, as vistas e as botas repousam, e o caminhante percorre largamente uma secção deslumbrante de paisagem idílica. 

 Vega de Liordes












O último pedaço do dia para perfazer esta rota circular, seria a descida dos Tornos de Liordes. Esta descida é, como desde a primeira do dia, na Jenduda, um obstáculo sério a quem não controle a vertigem. Além disso, extremamente longa e exigente, pois uma distração pode acabar por trazer o caminheiro muito rápidamente até Fuente Dé. Vai ser assim a vida nos picos nos restantes dias. 

 O princípio da descida para Fuente Dé, aqui ainda muito suave.

Por fim a chegada depois de um dia incrível. 

Aconselho a quem queira fazer esta mesma opção de percurso...muita reflexão pois as dificuldades exigem: boa orientação, controle da vertigem, capacidade de resistência física e psicológica. Aqui nos picos, a dificuldade não se mede em km, e foram quase 20 neste dia, e tampouco atrevo-me a dizer o declive enorme de quase 2000m. Ainda à pouco fiz 54km e mais do que esse declive. Aqui a equação apresenta uma outra variável: o tipo de terreno. 

Sem dúvidas um dos mais belos e exigentes trilhos que fiz...mas...isto foi o aquecimento para o segundo dia. 

Os anões vão descansar. Até amanhã. 

www.cabradogeres.blogspot.com
www.trilhosanorte.blogspot.com






Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/10/los-urrieles-day-one-torre-blanca.html

PICOS DA EUROPA - Uma nova ordem de Grandeza - 04Out2018 10:29:00

O Maciço Central do Parque Nacional dos Picos da Europa, localizado entre as províncias de León, Cantábria e Astúrias, é para alguém como eu que cresceu habituado principalmente ao  registo Geresiano, um cenário que me obriga a rever a minha própria dimensão como amante do pedestrianismo e montanhismo...rever para baixo. Especialmente depois de verificar in loco, o grande diferencial de cultura montanhesa que separa os dois países ibéricos.

Apesar de em 2017 esta mesma equipa Tuga se ter atirado com sucesso, em três dias seguidos, aos mais elevados cumes do espectacular parque de Fuentes Carrionas, casa de uma das mais difíceis montanhas Ibéricas, que dá pelo nome de "El Espigüete", as dificuldades que também o Curavacas e o Peña Prieta nos colocaram, foram, olhando a esta distância, apenas um passo feliz para nos aproximar daquilo a que nos propusémos alcançar nesta outra terra de Los Urrieles, um pouco mais acima, no reino do deserto da pedra infinita, da cascalheira interminável, da secura e do desterro, dos desníveis absurdos e progressão penosa. O olho de Sauron, desde a torre cimeira, mirou surpreendido a chegada destes três pequenos hobbits portugueses, que adentrando pela primeira vez este domínio,  valentemente armados de um simples coração apaixonado e do anel da amizade, conseguiram ao fim de três dias conquistar não só o sexto e sétimo mais altos cumes dos mais de 250 acima dos 2000m que por lá existem, como também a mais alta de todas, de onde o vilão maior vigia atento tudo abaixo de si. 

Dedico estas conquistas em forma de agradecimento, às nossas mulheres que são aquelas que ficando de fora, nos dão força e possibilidade de viajar nesta paixão.



Destes três dias que irei publicar em separado proximamente, ficam apenas alguns marcos de uma jornada única no assalto à fortaleza:


Canal da Jenduda
Torre Blanca 2619m
Vega de Liordes - Tornos de Liordes
Peña Vieja 2617m
Collada Bonita 2382m
Torre Cerredo 2650m


Os hobbits tugas, Alberto(www.trilhosanorte.blogspot.com), Jorge(www.cabradogeres.blogspot.com) e Alexandre



to be continued...






Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/10/picos-da-europa-uma-nova-ordem-de.html

VAI MEU FILHO, E NÃO OLHES PARA TRÁS. - 23Set2018 20:19:00

Após uma noite algo mal dormida, na traseira da carrinha, por culpa de dois ridículos galos senis que desataram à desgarrada pelas 4h da manhã, o largo do cruzeiro em Cabril, no concelho de Montalegre, serviu de arranque para uma página ímpar nas minhas aventuras montanheiras que, normalmente faço acompanhado... mas desta vez não.

Às 6h13 ainda de noite, meti botas ao caminho atravessando a ponte pedonal de frontal munido, em direção a essa paredona impressionante que dá pelo nome de Surreira do Meio Dia...



 Para treinar boas trepadelas ela é do melhor que temos. São cerca de 700m de desnível quase sempre a trepar em declive bastante  inclinado. Caminhar de noite e sozinho é algo que nos impregna de sensações intensas, parece que os sentidos atingem uma nova dimensão. 
Até à base da subida, o caminho tem alguns pontos de mato crescido que também anunciam o que será um pouco repetido na subida. Esta subida não é fácil pelo esforço necessário mas principalmente, pela facilidade de nos perdermos do melhor caminho. Já na subida, a primeira luz desta bela madrugada, ilustrava o céu de artista e aos poucos eu ia chegando ao cume da Surreira de onde pude contemplar o belo vale até ao dourado Talefe da Cabreira, com o sol acabado de nascer. 




















Sigo, em direção ao lago Marinho, agora com nome actualizado para "Pasto Marinho'' como podem ver na imagem... esqueçam o lago.

 Uma curta paragem para pequeno almoço singelo junto ao tanque perto da cabana e siga.. 


Àquela hora com a luz nascente as montanhas ficam doiradas e o cenário é deslumbrante: Chamiçais, Roca Alta, Borrageiro, Coc?es...





















O objectivo era chegar à ponte das Abrótegas rápidamente, aliás... todo o dia seria assim...rápidamente. Couce, Cocões, estreito, Lamas de Homem e pronto, 4h depois de sair de Cabril chegava ao famigerado estradão do Vale do Homem que liga a Portela do Homem às ruínas das Minas dos Carris. Estas ficavam agora á minha direita, eu...segui para a esquerda. 







A Louriça ao longe murmurando..."ele não se atreveria!"

Hora e meia depois estava na Portela do Homem. Para trás ficava aquela mer#$_ de caminho que não lembra ao diabo. Pelo caminho passei por 5 pessoas a subir muito lentamente na curva do Modorno e que vendo-me a descer equipado e de gás só tiveram tempo de começar a filmar este ser estranho com os equipamentos electrónicos que traziam enquanto eu dava os bons dias sem parar. Muito perto da ponte de São Miguel, um jovem de cerca de 19 anos, equipado com all star rasas, camisola de lã e uma garrafa de água queria saber onde eram as cascatas e onde ía dar este caminho. A resposta resumidamente: não há cascatas, e com essas sapatilhas no estradão de mer#__ não vais dar a lado nenhum excepto ao hospital mais próximo. Seguindo uns metros à frente... como vêem na imagem há coisas que nunca mudam... o pior, é que passa ali naquele preciso momento curiosamente, uma viatura do ICNF sem parar. Não querem ser levados a sério de certeza. 

Não tenho tempo para estas tretas, sigamos para a Cruz do Touro que será o segundo cume, depois da Surreira. O acesso para evitar o estradão escolhi o do lado espanhol aproveitando a zona estar queimada e portanto mais acessível, mas, mesmo assim não aconselho a ninguém porque continua de difícil progressão. Já tinha então atalhado o estradão que passa junto ao posto de vigia e agora, o enimigo número um era o calor, calor intenso deste longo verão entre as 12h30 e as 16h. 
 Lá para os lados espanhueles...
 Lindo bosque
 O que está para trás está para trás.
 Vilarinho da Furna
 Feio bosque
 Santa Eufémia


 Lá em cima o segundo cume do dia


Após descansar um pouco à sombra do pinheiro na base da Cruz do Touro, siga trepar aquilo que é também uma curta mas valente trepadela como podem verificar na foto.


 Lá de cima olhando para trás a Serra do Gerês. Para oeste, a panorâmica da Louriça, que imponente, vigia desconfiada o que este anão pretende fazer ao invadir estes domínios. 


Até á base da Louriça a visão do valioso e praticamente impenetrável Vale do Cabril, não há muito tempo referência neste blog após ter feito a sua circunvalação: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/02/circunvalacao-do-vale-da-mata-do-cabril.html



Agora sim Dona Louriça, vamos ajustar contas. Ainda a tentar desesperadamente evitar que este anão que vinha de Cabril, a conquistasse neste dia, colocou 3 vacas e um touro no caminho por baixo que tem 2m de largura... moral da história...eu estava bloqueado. Aqueles cornos eram grandes e bem afiados logo eu arriscava ficar ali até suas excelências quererem. Solução: gritar com elas enquanto ía atirando paus para perto. Resolvido. Após uns 15m deste trânsito congestionado sigamos para bingo.
 Trânsito congestionado

No caminho os vestígios do bicho...lá perto do Ramisquedo:





 No cume da Louriça, repouso de 15m e apreciar as vistas e siga para a próxima paragem: Lindoso. Ao longo de todo o dia pude comer amoras maduras que me souberam pela vida. 



A descida para o Lindoso era conhecida, embora desta vez tenha usado mais kms de estradão pela razão do objectivo final. Sempre a descer esta longa descida. Pelo caminho, mais amoras e duas fontes ajudaram a refrescar do dia quente. 

 As Donas...



Albufeira do Lindoso Lima

 Ouro líquido para o viajante



 Curral de Travanquinha

 Monumental


 Lindoso

Sumolinho: não havia de ananás :(

Chegado ao Lindoso, nada de demorar porque, até ao Soajo, destino final, ainda são quase duas horas de caminho. Já de noite e avistando o por de sol no rio Lima, com o Lindoso a começar a acender seus candeeiros sob a lua quase cheia a erguer-se, os espigueiros foram o ponto final numa história de amor que começou dourada na subida da Surreira e agora assim terminava também.





 Espigueiros by night

Venha a próxima

Amor pelas montanhas divinas e principalmente pela minha mulher que me dá força a cada dia e está sempre disponível para ajudar. O dôce sabor do reencontro com ela é um prémio maior. Obrigado Sílvia.



Foi um privilégio ter atravessado estas serras desacompanhado sim, mas nunca sózinho. Comigo trago todos e muitos com quem vou comunicando e conversando na esperança de que estejam a ver o que eu vejo, a sentir o que eu sinto. 

Para finalizar deixo aqui o desenho do percurso que já descrevi e as estatísticas actualizadas de um belo treino.

GO HARD OR GO HOME

Abraço e boas aventuras. 



Distância: 53km
Desnível acumulado: 2150m
Alguns pontos de passagem: 

Cabril (cruzeiro) 
Surreira do Meio Dia - Escaleira e Cume(1063m)
Curral de Virtelo
Lago Marinho 
Curral de Couce 
Cocões do Coucelinho 
Lamas de Homem 
Abrótegas 
Vale do Alto Homem 
Portela do Homem 
Cruz do Touro (1232m)
Louriça (cume da Serra Amarela-1364m) 
Curral de Travanquinha
Lindoso
Soajo 









Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/09/vai-meu-filho-e-nao-olhes-para-tras.html

GABI, TULI, ROCA NEGRA - SERRA DO GERÊS - 30Ago2018 10:28:00

Portanto, lá fomos até à Roca Negra(1386m), trepar aquilo e verificar se as vistas se mantinham em conformidade. O percurso é já um clássico para mim, mas o Gabi, não conhecia, por isso...ao trabalho. 

De notar que a fiel Tuli apenas á pouco tempo, subiu ao Pico da Nevosa, e agora à bem mais difícil Roca Negra...bicho.

Quanto ao Gabi, usufruiu  de uma rara experiência para a maioria das pessoas...contemplar lá do alto, a imensidão do Mundo da Alma.

Ficam algumas imagens de um dia bem agradável apesar de um bocado quente demais para o meu gosto.


 Já depois de passar a zona "turística do Arado", começamos a entrar verdadeiramente na serra

 Chegando ao Curral da Coriscada, o registo serrano que tanto gostamos...granito.


 A caminho da Arrocela, admirando a Corga da Giesteira


 E agora para o Cando...

 O Vale do Conho aos nossos pés...

 Impressionante, este Cântaro Negro, se me permitem a simbologia da Serra da Estrela
 É mesmo para subir aquilo?



 E pronto, lá de cima da Roca, as vistas impresionam de belas.

 Por lá nos demorámos bastante apesar do calor.


 Vale do Conho em cima, e Roca de Pias em baixo

 Curral da Rocalva e respectiva Roca

 Em cima, Rocalva, Porta Ruivas e lá ao fundo o Borrageiro II
 Em cima, Gabi a digerir as vistas, e ao fundo a Arrocela
 Borrageiro II visto da Roca Negra
 Descansa Tuli que bem mereces







 Mais um pedaço de Porta Ruivas desde a Roca Negra( em cima)

 Talefe, o cume da Serra da Cabreira desde a Roca Negra, em baixo.

 Foto de família





 Atalhando para Entre-Águas

 Rio Conho, muito tranquilo mas fresquinho para saber bem.








EPÍLOGO

Chegando ao Poço Azul do qual me recusei então a fotografar tal a confusão (coisa que agora me arrependo), estavam por lá umas dezenas, às quais à medida que descíamos o Vale, muitas outras pessoas íam a caminho de lá, invarialvemente nos perguntando se estavam no caminho certo, ou quanto tempo ainda faltava para chegarem, isto, em hora já adiantada da tarde e tudo gente que veio a pé desde o Arado, lá a uns kms de distância. Pacientemente fui dando informações e recomendações de que pelo menos, deviam ter uma aplicação de gps no smartphone para poderem estar mais seguras, e que andar por ali de chinelos não é boa ideia, etc etc, cheguei a perguntar a uma sra já com bastante idade e com uma camisola na cabeça, se estava sozinha(estava acompanhada mas distante do resto da família). Ou seja, se aquela gente toda chegou ao poço azul, aquilo ainda deve ter ficado mais fantástico. 

Chegados ao Arado onde de manhã cedo vimos apenas duas ou três pessoas...agora eram umas centenas espalhadas por todos os recantos. A minha curiosidade é esta: se o Rio Arado está nesta altura practicamente morto, sem cascata e apenas com um fio de água mínimo, o que é que há ali de tão interessante para que toda esta gente esteja ali? Parece mesmo que estão à procura do tesouro escondido no meio dos calhaus, senão vejam:









Aquilo era carros quase até Ermida...

Cá em baixo



RESUMIDO E CONCLUÍNDO

Se quer usufruir de uma experiência de natureza, em tranquilidade, vá para este Gerês, Arado, Caniçada, Portela do Homem, Poço Azul, Fecha de Barjas, e com sorte, até poderá ver gente a cair das cascatas...um autêntico paraíso de verão.
I DON´T UNDERSTAND.

Agora esqueçam tudo o que eu disse, porque...



...tudo está bem quando acaba bem...sumolinho.

Abraço e boas caminhadas








Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/08/gabi-tuli-roca-negra-serra-do-geres.html

MAGRO, RASO, GORDO...BELEZA A CÂNTAROS. - 26Ago2018 21:50:00

Partindo do Covão d´Ametade(1393m), o objectivo era conquistar os três cântaros num mesmo dia: Magro(1928m), Raso(1916m), e Gordo(1875m). Pelo meio, ainda foi possível alcançar o ponto mais alto de Portugal continental, na Torre. 

Foi possível fazer isso num trilho muito exigente, e apenas recomendável a praticantes com experiência. Com desníveis e declives grandes, e terreno muito acidentado em várias partes, cumeadas, com mato e alguns passos aéreos impróprios para pessoas com vertigens, pode dizer-se que foi um trilho de encher a barriga de qualquer montanheiro exigente e, perto do final ainda com direito a refresco na Lagoa dos Cântaros.




Estava algum calor, mas, foi um dia fantástico para relembrar por muito tempo. Se a nossa doença é a falta de montanha, hoje a medicação foi forte.

Objectivo conquistado, resta contar um pouco da história, no sentido de dar a conhecer a beleza que há nestas paragens do estranhamente chamado de "Parque Natural da Serra da Estrela". 

Percurso: Covão da d´Ametade, Covão Cimeiro, Cântaro Magro, Covão do Boi, Cântaro Raso, Torre, Cântaro Gordo( cumeada e descida directa para a cumeada sobranceira à Lagoa dos Cântaros). 

O Covão d´Ametade é um belo local arborizado, atravessado pelo ainda jovem rio Zêzere, dotado de algumas estruturas abandonadas e pontilhado por alguns campistas. 


Aqui começou a caminhada em direção ao Covão Cimeiro, outro local magnífico mas de personalidade diferente: um aconchego ao caminhante, que se vê abraçado por altas paredes e um prado belíssimo atravessado por ribeiro tímido nesta altura de verão, e onde seguramente o rio Zêzere encontra forças ali perto para se assumir como tal. 








Este covão fica no sopé do Cântaro Magro, esse emblema da Serra da Estrela, que é possível avistar olhando bem para cima a cerca de 300m na vertical...(em cima)... impressionante paredão. Esse cume é o nosso primeiro objectivo. Duas dificuldades nos esperam: o desnível até à base do cume do cântaro, junto ao estrada nacional, e a trepadela ao cume. Estas duas tarefas e cenários são muitos semelhantes a outras encontradas nas Montanhas Palentinas no ano passado, ressalvando as devidas proporções (em baixo)









A trepadela final ao cume é um preço bem pago. As vistas, um prémio ao esforço empregue, uma delícia contemplar o mundo de lá de cima de forma vertiginosa. Mas não olhem muito para a direcção da Torre porque aí, verão objetos estranhos...

A subida e descida do cume, não é difícil para quem esteja habituado às montanhas, mas cuidado...estranhamente, os carros podem parar apenas a uma dúzia de metros do início da subida ao cume...ou seja, qualquer pessoa tem acesso pelo menos a tentar a subida final.  Mesmo com tempo seco exige-se atenção máxima...









Já no cume do emblema desta serra, as vistas são soberbas, um local especial...

 O Covão Cimeiro onde antes tinhamos estado, com zoom em cima, e sem zoom em baixo.

 Parte da cumeada do Cântaro Gordo...lá chegaremos.


 O Covão onde tudo começou (em cima sem zoom)(em baixo com)














Com o devido respeito, aquilo não é zona para turistas, aquilo é  montanha brava. Vários acidentes já por ali aconteceram (http://arquivo.desnivel.pt/editorial/2004-04-23.html) e a sinalização não avisa dos perigos. 

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Em direção ao belo Covão do Boi sem até ao momento por pé em alcatrão, para chegar sem dificuldade ao segundo cântaro, o Raso. Mais um banho de belas vistas. 






Daqui até à Torre, uma pequena caminhada com algum desnível onde lá chegados, comemos a merenda para preparar a segunda metade do dia. 




Nesta chegada à Torre é possível verificar a grande quantidade de lixo, espalhado pelo planalto, muito dele fruto das actividades de neve, que após derreter, revela o respeito que há pela natureza, ou seja: nenhum. Depois de subir até aqui pelo próprio pé e tendo visto a qualidade de tantas zonas que merecem ser preservadas e qualificadas no verdadeiro significado da palavra, e por isso comecei esta narrativa por usar o adjectivo "estranhamente", fico triste por ver o topo de Portugal continental esventrado por alcatrão, supermercados, restaurantes, estações de ski, e várias outras estruturas. No Covão Cimeiro, os restos de um carro despenhado desde a estrada nacional ali por cima, é um corpo estranho.  A Estrela poderia ser um santuário intacto, cheio de personalidade e vida selvagem...em vez disso apenas alguns nichos persistem, entalados entre vias de alcatrão percorridas por todo o tipo de gente, ruído de carros em alta velocidade, e pequenas barragens espalhadas um pouco por todo o lado. Vida selvagem praticamente não vimos, tirando uma pequena víbora já no final do dia. Aves, quase nada, e rapinas, tão comuns no PNPG e em outros parques, zero. É estranho que depois de conquistar 500m de declive, a estrada nacional esteja mesmo ali á beira dos últimos metros do Cântaro Magro...mas se calhar sou eu. Aqui ao lado em Espanha, parques naturais não faltam, e se algum tem estâncias de ski, muitos outros são realmente selvagens, mas isso são eles que têm muitos. Nós temos muito poucos e logo se devassa e esventra o santuário... tal como fizeram nas famigeradas Minas dos Carris na Serra do Gerês por ex.  Como dizia o meu camarada Alberto Pereira, até no outro Pico, o mais alto, nos Açores, é preciso pagar para subir...senhores governantes, acabem com Isso PF.

Sigamos para bingo...

Atravessando a zona sinistra das cadeiras rotativas das pistas de ski, mais lixo e vedações, finalmente começamos a pisar chão sagrado de serra limpa, admirando de outros ângulos os cântaros anteriores. 


 O Magro e o Raso em cima. O Gordo em baixo.



 Já perto do cimo do Gordo...

O cântaro Gordo, é uma cumeada que termina bem acima da Lagoa dos Cântaros. O acesso é complicado porque os trilhos estão meio tapados e há muitos blocos de pedra na base. A trepadela até à cumeada é um esforço recompensador, porque a sensação aérea da longa cumeada e as vistas espantosas são a razão de termos feito tantos km desde o norte do país. 






Incêndio de Seia ainda a terminar lá longe para os lados da Loriga.


No extremo este, é possível vislumbrar um princípio improvável de trilho que desce abruptamente, até á zona da lagoa em cerca de 200m de desnível muito acentuado. Contrariando o plano inicial, formos por ali abaixo à aventura e tudo correu bem...mais um pouco de adrenalina. 





Chegados à cota dos 1680, apareceu o mato para atrapalhar quem anda a trabalhar... Até quase ao fim não nos largou. 

Este recanto da Lagoa dos Cântaros, é muito bonito, e com o calor que fazia e o esforço feito até aí, inevitável saltar lá para dentro. Daí até quase ao fim, muito mato em zonas que claramente são pouco frequentadas, e os antigos trilhos vão sendo esquecidos, até um qualquer fogo, novamente os revelar. 










Resumindo e concluindo: um trilho pensado pelo Alberto Pereira, onde tirando o senão da infeliz zona descaracterizada da Torre, foi um dia feliz, um episódio montanheiro de se tirar o chapéu. Grande.

Obrigado aos meus camaradas Jorge e Alberto, pela amizade e partilha.
Obrigado especial à minha familia.

O treino foi top, venha o próximo.




Abraços e boas caminhadas.



Fonte: http://mundodaalma.blogspot.com/2018/08/magro-raso-gordobeleza-cantaros.html

RAFA, TULI - NEVOSA - SERRA DO GERÊS - 10Ago2018 12:42:00

No meio deste quente agosto, lá se arranjou um dia mais fresco para dar corda às botas e ir treinar para a serra, acompanhado pelo Rafael e pela Tuli, que eram estreantes na visita ao ponto mais alto da serra do Gerês e do norte de Portugal. A Tuli ainda a recuperar de uma intervenção cirúrgica estava com fome de  monte...que foi coisa que não lhe faltou hoje. Chegar à Nevosa vindo donde seja, é sempre uma boa estirada, e neste caso, acrescida pelo desenho do percurso:

Subida do Ribeiro da Abelheira, Biduiça, Subida do Corgo das Lamelas até á fronteira, Chegada ao Pico da Nevosa pelo lado espanhol, Garganta das Negras até ao Alto das Eiras, Descida final para o carro.Total: 18km e 1225m de desnível acumulado. Parabéns ao Rafa e à Tuli pela conquista montanheira.



Neste dia pudémos presenciar um drama serrano, um episódio da vida selvagem, digno de ser filmado por profissionais. 
A certa altura, sentindo a nossa presença, algumas dezenas de metros à nossa frente, um bando de 12 grifos, levanta lentamente vôo desde o chão, ganhando altitude com as suas asas de enorme envergadura, até ficarem a pairar lá por cima, sem se afastarem. Em tom de brincadeira, disse que se calhar viémos estragar-lhes o almoço. Pois... efectivamente era isso; um pouco á frente estava a carcaça fresca de um cavalo muito jovem, ainda meio comida onde estes senhores estavam a trabalhar. Os grifos(da família dos abutres), são aves maiores que as águias, podendo ostentar até 3m de envergadura, e que em Portugal se resumem a umas centenas de casais... hoje deviam estar ali um clã inteiro. 

Os abutres alimentam-se de carne putrefacta pelo que ficou por apurar a verdadeira causa da morte recente deste infeliz potro, separado da manada, que pastava um km à frente.